Shéridan solta o verbo após decisão da Justiça Eleitoral: 'A política está ficando pequena'
Em um desabafo nas redes sociais, Shéridan Ramos criticou a judicialização de suas visitas a centros de assistência, afirmando que a disputa política está perdendo o foco no humano.
O clima esquentou nos bastidores da política roraimense nesta última sexta-feira (28). A ex-deputada e agora candidata a vice-governadora na chapa de Soldado Sampaio (Republicanos), Shéridan Ramos (Podemos), não guardou para si a frustração com as recentes decisões judiciais que afetaram sua campanha. Através de seus stories no Instagram, Shéridan soltou o verbo contra a determinação do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), que ordenou a remoção de vídeos gravados dentro de prédios públicos.
O ponto central da discórdia é um vídeo gravado no Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência (CIAPD). Para a candidata, a ação movida pela oposição é uma tentativa de transformar momentos de afeto e conexão histórica em manobras eleitoreiras. Shéridan, que já esteve à frente da Secretaria de Promoção Humana e Desenvolvimento de Roraima entre 2007 e 2014, defendeu que as pessoas que aparecem nas imagens são conhecidas de longa data e que o encontro foi, acima de tudo, espontâneo.
O Olhar de Shéridan: Entre o Afeto e a Lei
“Gente, que viagem. Tipo, o que que as pessoas… é tudo tão voltado assim para fazer coisas ruins”, desabafou a candidata em tom de indignação. Para ela, a judicialização de uma visita a um centro de assistência é um sintoma de que a política está se tornando algo “pequeno”, onde o debate de ideias e o histórico de serviço prestado acabam ficando em segundo plano diante de ataques jurídicos.
Shéridan ressaltou que sua ligação com o CIAPD não começou agora, no período eleitoral. Ela relembrou seus anos de gestão na assistência social do estado, reforçando que o carinho recebido dos frequentadores do centro é fruto de um trabalho de anos. Segundo a candidata, a visita, ocorrida no dia 20 de agosto, não teve o objetivo de ser uma peça de propaganda deliberada, mas sim um registro de sua trajetória e das relações humanas que construiu ao longo da vida pública.
A Decisão do TRE-RR e o Lado da Oposição
Do outro lado da arena, a Justiça Eleitoral tem um entendimento mais técnico e rígido sobre o uso da máquina pública. O juiz Breno Jorge Portela Silva Coutinho acatou o pedido da Coligação "Unidos por Roraima" (formada por PL e Novo), que apoia o candidato Arthur Henrique. A alegação é que a chapa governista teria utilizado áreas internas de acesso restrito — como o CIAPD e o Centro Integrado de Comando e Controle (Cicc) — para obter vantagem indevida na propaganda eleitoral.
A legislação eleitoral brasileira é bastante clara ao proibir o uso de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública para beneficiar candidatos. A ideia é garantir a paridade de armas, evitando que quem está no poder use a estrutura do Estado para se promover. Além dos vídeos de Shéridan, a decisão também atingiu uma propaganda de Soldado Sampaio que utilizava uma viatura da Polícia Militar (PMRR), determinando a exclusão imediata sob pena de multa diária de R$ 3 mil.
Reações e Próximos Passos
A coligação de Sampaio e Shéridan adotou uma postura cautelosa no campo jurídico, afirmando que, embora ainda não tivessem sido notificados formalmente no momento das críticas, cumpririam as ordens judiciais assim que a intimação chegasse. No entanto, deixaram claro que pretendem contestar a decisão pelas vias processuais cabíveis, tentando reverter a proibição dos conteúdos.
Para Shéridan, no entanto, a batalha parece ser mais moral do que jurídica. Em suas declarações, ela enfatizou que o episódio apenas serviu para fortalecer seu propósito. “Não é sobre uma eleição, sobre ganhar ou perder, é sobre o que significa a minha vida e ser usada como instrumento para fazer coisas boas”, afirmou, buscando se distanciar da imagem de política tradicional e se aproximar de uma figura movida por causas sociais.
Enquanto o processo segue nos tribunais, a narrativa nas redes sociais ganha força. De um lado, o discurso da legalidade e da proteção do patrimônio público; do outro, a defesa da história pessoal e da liberdade de registrar encontros com a comunidade. O que fica claro é que, em Roraima, a disputa pela vice-governadoria está longe de ser apenas um detalhe na chapa, ganhando contornos de um embate direto de narrativas.
Este cenário levanta um debate importante sobre os limites da comunicação política na era digital. Até que ponto um gestor ou ex-gestor pode mostrar seu trabalho em prédios públicos sem ferir a lei? E quando o afeto genuíno cruza a linha da propaganda? As respostas, por enquanto, vêm em forma de liminares e desabafos no Instagram, enquanto o eleitor observa a temperatura da campanha subir a cada nova postagem.
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Perguntas Frequentes
Por que a Justiça determinou a retirada dos vídeos de Shéridan?
O TRE-RR entendeu que as gravações foram feitas em áreas internas de prédios públicos de acesso restrito (CIAPD e Cicc), o que é proibido pela legislação eleitoral para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidatos.
Qual foi o argumento da candidata Shéridan Ramos?
Shéridan afirmou que as visitas não tinham caráter eleitoral, mas sim espontâneo, baseadas em sua relação histórica com as pessoas atendidas pelos centros desde quando era secretária de estado.
Quem entrou com a ação judicial contra a chapa de Sampaio?
A representação foi feita pela Coligação Unidos por Roraima, que apoia o candidato Arthur Henrique (PL).
Houve outras punições além da retirada dos vídeos?
Sim, a Justiça também determinou a retirada de uma propaganda que utilizava uma viatura da Polícia Militar, sob pena de multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento.
A chapa de Shéridan vai recorrer da decisão?
Sim, a coligação informou que cumprirá as ordens após notificação, mas que pretende contestar a decisão judicial através dos meios processuais adequados.
