POLÍTICA

    TCDF determina bloqueio de bens de ex-dirigentes do BRB em R$ 2,7 bilhões

    A decisão unânime do Tribunal de Contas do Distrito Federal atinge cinco ex-gestores da instituição financeira após indícios de fraudes bilionárias em negócios com o Banco Master.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL24 de setembro de 2026
    Fachada do Tribunal de Contas em sessão sobre bloqueio de bens ex-dirigentes BRB e Caso Master em Brasília.
    Reprodução: Agência Brasil

    O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) decidiu, por unanimidade, determinar o bloqueio de bens ex-dirigentes BRB (Banco Regional de Brasília) em um montante que atinge R$ 2,7 bilhões. A medida, tomada em sessão sigilosa na última quarta-feira (23), ocorre em meio a investigações sobre operações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master, instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central no ano passado por indícios de gestão fraudulenta.

    O congelamento dos ativos visa garantir o ressarcimento aos cofres públicos diante do prejuízo bilionário estimado. Os cinco ex-gestores afetados pela decisão têm um prazo de 30 dias para apresentar defesa formal junto à Corte de Contas, conforme rito processual estabelecido pelo tribunal.

    Entenda o bloqueio de bens ex-dirigentes BRB e o Caso Master

    A crise que motivou o bloqueio de bens ex-dirigentes BRB está diretamente ligada a negócios realizados com o Banco Master. Segundo o TCDF, a decisão impõe uma "instrução prioritária" para apurar se a restrição patrimonial deve ser estendida a outros envolvidos no esquema. Além disso, o tribunal exigiu que o BRB envie, em um prazo máximo de 24 horas, os resultados de uma auditoria independente contratada para mensurar as perdas financeiras decorrentes dessas transações.

    O valor exato do bloqueio determinado pela Justiça é de R$ 2.761.749.206,55. Essa cifra corresponde a uma parte do rombo total investigado, que pode ultrapassar a marca de R$ 12 bilhões, conforme apurações preliminares da Agência Brasil e órgãos de controle.

    Operação Compliance Zero e o rombo bilionário

    O caso não se limita à esfera administrativa do Tribunal de Contas local. O esquema é o foco central da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF) sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apontam que ex-membros da cúpula do banco público teriam recebido vantagens indevidas para autorizar a aquisição de carteiras de crédito fraudulentas pertencentes ao Banco Master antes de sua quebra.

    Atualmente, o Banco Regional de Brasília enfrenta uma situação crítica de desconformidade regulatória. A instituição não publica seus balanços operacionais e patrimoniais desde o ano passado, descumprindo os prazos legais exigidos para bancos sob controle estatal. Essa falta de transparência impede que a sociedade e os órgãos de fiscalização compreendam a real extensão do impacto financeiro no patrimônio do Distrito Federal.

    O TCDF reforçou que a medida cautelar de indisponibilidade de bens é um instrumento essencial para resguardar o erário enquanto o processo de responsabilização segue em curso. A auditoria independente do BRB é considerada peça-chave para desvendar como operações de crédito de alto risco foram aprovadas sem as devidas garantias e diligências de conformidade.

    Para o cidadão e investidores que buscam transparência sobre a gestão de recursos públicos, os andamentos processuais e relatórios de auditoria podem ser consultados no portal oficial do Tribunal de Contas do Distrito Federal, onde são publicados os acórdãos e decisões das sessões plenárias.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 24/09/2026 às 08:42 (horário de Boa Vista).

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