MUNDO

    Trump critica combate ao crime organizado no Brasil em relatório anual ao Congresso

    Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Donald Trump classifica PCC e CV como ameaças globais e critica a gestão brasileira; Ministério da Justiça rebate citando avanços legislativos.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL19 de setembro de 20264 min de leitura
    Donald Trump em pronunciamento oficial sobre segurança internacional e o combate ao crime organizado no Brasil.
    Reprodução: Agência Brasil

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou nesta terça-feira (15) um documento oficial ao Congresso norte-americano no qual critica duramente o governo brasileiro pelo que classifica como uma falha no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). No relatório, que identifica países prioritários no trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027, o mandatário afirma que o Brasil se tornou um centro estratégico para os fluxos globais de cocaína.

    Como o governo dos EUA avalia as facções brasileiras?

    De acordo com o documento assinado por Trump, enquanto diversos governos do Hemisfério Ocidental adotaram "medidas corajosas" para reduzir o narcotráfico e erradicar cartéis, o Brasil teria falhado em conter o avanço das organizações agora designadas pelos EUA como terroristas. O presidente norte-americano enfatizou que o PCC e o CV constituem uma "ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo".

    A classificação dessas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) não é recente. A medida entrou em vigor oficialmente em 5 de junho de 2026, baseada na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA. Na ocasião, o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que o poder dessas redes criminosas ultrapassa as fronteiras brasileiras, exigindo sanções e instrumentos de controle mais severos por parte das autoridades internacionais.

    Ministério da Justiça rebate críticas sobre o combate ao crime organizado no Brasil

    Em resposta imediata, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Brasil emitiu uma nota refutando as alegações de omissão. O governo brasileiro defende que a análise de Trump desconsidera avanços significativos na legislação nacional e na cooperação internacional. Entre os pontos destacados pela pasta está a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que endureceu penas para lideranças e criou mecanismos de asfixia financeira contra o crime organizado.

    O MJSP também ressaltou os resultados do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026. Segundo o ministério, as forças federais realizaram dezenas de milhares de operações que resultaram em prejuízos bilionários para as facções, além de fortalecer o sistema prisional e qualificar a investigação de homicídios e o combate ao tráfico de armas.

    Proposta de cooperação ignorada pelos Estados Unidos

    Um ponto de tensão destacado na nota brasileira é a falta de retorno a uma proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula em Washington, em 7 de maio de 2026. O documento detalhava medidas conjuntas para o compartilhamento de inteligência e combate à lavagem de dinheiro. "Até o momento, o país aguarda possível resposta do governo dos EUA", afirmou o Ministério da Justiça, sugerindo que a crítica de Trump ignora a disposição brasileira para o trabalho bilateral.

    Alinhamento político e a geopolítica do narcotráfico na América Latina

    O relatório de Donald Trump também revela uma clara distinção no tratamento dado aos países da região com base em alinhamentos políticos. Enquanto o Brasil e a Nicarágua receberam críticas severas, países com governantes considerados aliados, como Argentina, Equador e El Salvador, foram alvos de elogios pelas suas políticas de segurança.

    Países como Colômbia, sob a gestão de Abelardo de la Espriella, e Bolívia, com o presidente Rodrigo Paz, foram citados positivamente por prometerem campanhas agressivas contra o cultivo de coca. O Peru, liderado por Keiko Fujimori, também foi elogiado pelo compromisso de cooperação com os EUA. Curiosamente, apesar das críticas contundentes à segurança brasileira, o Brasil não foi incluído na lista de países que "falharam de maneira demonstrável" em suas obrigações internacionais — lista que inclui Bolívia, Colômbia e Venezuela — nem figura entre os principais produtores ou países de trânsito de drogas.

    A posição dos Estados Unidos reforça a pressão diplomática sobre a segurança pública brasileira, enquanto o governo nacional mantém a postura de que o combate ao crime deve ser realizado com respeito à soberania, embora aberto à cooperação técnica e de inteligência com parceiros globais.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 16/09/2026 às 18:07 (horário de Boa Vista).

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